Da capitá federá
Ou de onde quer que eu esteja

16.1.10


Cidadania nas fronteiras - finalizado!

Pessoal, escrevo para contar que a série de matérias sobre cidadania nas fronteiras está finalizada.

Faltou contar para vocês da emoção que foi procurar um brasiguaio, da realidade dos hospitais de Ciudad del Este - Paraguai...

Enfim, vou deixar faltando. Agora tem muito mais coisas para mostrar...

Agora já terminamos e exibimos todas as matérias. Para quem quiser assistir, seguem os links:

Matéria 1 - Introdução -



Rádio

Matéria 2 - Saúde -



Rádio

Matéria 3 - Educação -



Rádio

Matéria 4 - Meio Ambiente -



Rádio

Abraços,

Lidia, rumo ao Fórum Social Mundial de Porto Alegre... aguardem mais notícias por aqui!



29.11.09


Emília
(atualizado em 04/12/2009, 9h)

Interrompemos nossa programação para promover a lista das boas vindas à Emília, para quem quiser dar presentes para a Lia e o Rafael e sua pequena que está quase chegando.

Por favor, quem escolher o que vai dar, anote nos comentários. Assim as pessoas podem escolher os outros presentes!

Abs

Banho e toalete

- 01 espuma para banheira (Para ser colocada dentro da banheira evitando que o bebê escorregue)

- 03 toalhas fralda

- 01 cesto toalete (Cesto de vime ou madeira para se colocar produtos de higiene)


Higiene

- 01 conjunto para manicure da nuk (Composto por uma tesoura para unhas, umcortador de unha tipo trin com protetor e uma lixa)

- 02 cremes para assaduras (Bepantol ou Dermodex)

- 01 escova para cabelo bem molinha + pente

- 01 óleo para massagem

- 01 sabonete líquido

- 03 sabonetes neutros

- 01 garrafa térmica branca de meio litro ou kit para limpeza do bumbum (comprado!)

- 01 pinça higiênica



Para mamãe

- 30 absorventes para seios (Em formato de concha, é feito de algodão e serve para absorver o excesso de leite)

- 01 concha para seios (Feita de silicone, serve para corrigir os bicos que estejam invertidos e aceleram a cicatrização de bicos rachados)


Quarto

- 01 kit de fralda de boca c/ 5

- 01 capa impermeável para colchão de berço tamanho padrão (1,30x0,60m)



Roupinhas

- 02 vira manta (Tecido de algodão usado atrás do pescoço da criança para evitar o contato com outros tecidos que possam dar alergia.)


Fraldas

- 01 pacote de fraldas descartáveis RN

- 01 pacote de fraldas descartáveis P



22.9.09


A busca de fontes

Hoje achamos uma fonte que queríamos - aliás, duas - perguntando. Pra todo mundo que passava pela frente.

Acho isso: jornalista não pode ter vergonha de perguntar.

O melhor é que estamos nós procurando daqui e a Manu, de Brasília. Trabalho em equipe total!!!


Prefeito

Hoje entrevistamos o prefeito de Foz do Iguaçu, Paulo Mac Donald Ghisi. Ele falou que eu fui a jornalista mais persistente que já o entrevistou. Sim, eu perguntei tudo o que eu queria, e não foram poucas coisas... hehehe. Mas no final ele achou a gente legal e não queria deixar a gente ir embora... risos.


Felicidade Interna Bruta

Fomos a Itaipu, falar de meio ambiente, e tíhamos tudo para dar com a cara na porta. Mas não foi isso que aconteceu, ao contrário: fomos super bem recebidos pelo sr. Nelton Friedrich, diretor de Meio Ambiente, e o Sidney, assessor dele. Eles têm uns projetos de sustentabilidade muito legais, que cuidam não só da água, mas também - e principalmente - das pessoas. Estão todos sob o guarda-chuva do programa Cultivando Água Porã - ou Cultivando Água Boa, em português.

Um projeto novo que está começando é o de Felicidade Interna Bruta. Acho que é um conceito que ainda vai dar muito no que falar, na linha da responsabilidade social empresarial...


Meu próximo idioma

Acho que se eu fosse escolher hoje, falaria Guarani. Aliás, falando nisso. Dizem que tem muitos paraguaios que são atendidos aqui no Brasil e que eles falam mais o espanhol que o guarani, mas hoje foi a primeira vez que eu vi um paraguaio que mal me entendia em espanhol! Foi impressionante!

Foi no hospital. A sogra dele, brasileira, trouxe a neta para ser atendida no Brasil. A menininha de seus 2 anos e meio (linda!) foi picada por uma aranha - e só fala guarani!


Outras pautas

Pauta sempre faz render outras pautas, né? Eu faria uma matéria só sobre documentação, outra só sobre meios de comunicação, outra sobre terras sem lei na fronteira, outra sobre comércio informal e Receita.


Mundo afora

Amanhã vamos a Puerto Iguazú e quinta, a Ciudad del Este. Estou cansada, agora só escrevo em pílulas, já perceberam?

E outra coisa importante: aqui só chove, desde hoje de manhã. Ainda bem que já temos imagens das Cataratas e de Itaipu lá na redação!



O dia mais investigativo da viagem

Ontem foi esse famigerado dia: fomos atrás de uma simples imagem do Aquífero Guarani, que pelo que eu tinha visto em vários sites especializados, deveria aflorar em Ponta Porã, mas não aflora. Ao contrário, está a 800 metros de profundidade. Fizemos imagem do poço que retira água para abastecer a cidade. O rio aflora em São Gabriel do Oeste-MS, a 400 km da fronteira.

Alguns especialistas disseram que afloraria em Bela Vista, a 100 km de Ponta Porã e fronteira com Bella Vista, Paraguai, às margens do Rio Apa. Fomos até lá, com a indicação de procurar o Dr. Zinho, presidente da Câmara de Vereadores. Chegando lá, ele estava num velório e ficou de nos indicar alguém. Ele indicou uma secretária da prefeitura, que por sua vez ficou de mandar alguém e... por fim, não chegou ninguém.

Por sorte, o Velô tinha um velho amigo na cidade, que conseguiu nos indicar um historiador, que conhecia o representante da companhia de água e esgoto. A professora Synara, em Brasília, também tinha me falado desta pessoa, mas não sabia os contatos.

Passou a manhã inteira e muitos "entra! vamos chegar! senta um pouco! quer uma água, um café?" até que finalmente chegamos ao dr. Quico Monteiro! O ritmo do interior do interior é realmente interessante! Eles são todos muito amáveis, tanto que nos atenderam em pleno domingo!

Falou-se de Aquífero, mas não o vimos aflorar.

Já no final da tarde, sem mais sol para irmos atrás de nenhuma imagem, conseguimos descobrir que em uma comunidade indígena tem um poço que a água aflora do chão, pode ser do Aquífero. Mas não dava mais tempo de fazer...


Indígenas de beira de estrada

Bela Vista fica ao lado de um território dos Guarani Kayowá, um povo indígena da fronteira do Mato Grosso do Sul, acho que o que mais sofre no Brasil (recomendo a visita ao site do Conselho Indigenista Missionário - CIMI). Na volta, já à noite, vimos vários deles andando pela beira da estrada, bêbados.

Diz o nosso motorista, Juarez, que é muito comum eles se jogarem na frente do carro e se suicidarem...


Politicamente incorreto

Mais uma vez, em Ponta Porã o pessoal também ficou muito feliz de que a gente não veio falar de desgraça. Mas é importante o registro: neste domingo, quatro pessoas foram assassinadas. Ouvem-se tiros à noite. Dizem que quando tem jogo de futebol importante, é tiro pra tudo quanto é lado. Nos dizem também que a juventude é viciada em cocaína, muito barata por ali.

Mas teve uma pessoa que personificou não essas coisas, mas outras bizarrices que acontecem por ali. Contou, bêbado, que comprou votos de cabos eleitorais e que nunca foi assaltado - e a única vez que foi, ele mandou matar a pessoa. E que quando alguém manda prendê-lo, ele manda uns porcos de presente (para a pessoa desistir da ideia e soltá-lo). Se a metade for verdade, ou mesmo 10%, já é bastante lamentável.



E agora, Foz do Iguaçu

Chegamos à maior das cidades de fronteira que vamos visitar, aliás, acredito que seja realmente a maior cidade de fronteira do Brasil. Mega infra-estrutura, a começar pela hoteleira, que só perde para o Rio de Janeiro no Brasil (estamos num hotel ótimo!!! quarto cheiroso e comida barata e gostosa).

Além da infra-estrutura, também chama a atenção o fato de que as pessoas por aqui não vão e vêm como em Ponta Porã ou em Tabatinga. Os brasileiros moram no Brasil, às vezes passeiam dos outros lados da fronteira.

Hoje fomos na escola de fronteira Adele Scalco, uma experiência que já tem 3 anos. Conseguimos ver mais ainda os benefícios e os desafios deste projeto.

Nesta terça vamos entrevistar o prefeito Paulo Mac Donald, que é 2o vice-presidente internacional da Frente Nacional de Prefeitos. Para ver as demandas dos prefeitos de fronteira. Legal! Além disso, nos espera o secretário de saúde e, quem sabe, uma visita a Itaipu.

La frontera me encanta!



19.9.09


Choque térmico


E o tempo virou na linha de fronteira...

Ontem, finalmente, chegamos a Ponta Porã, depois de 2 dias de viagem. Sofremos um choque térmico de 25 graus, entre os 40 graus de Tabatinga e os 15 de Curitiba, por onde passamos. Em Ponta Porã, estava calor ontem, mas à noite, depois da neblina que vocês podem ver na foto, o tempo virou... Hoje, já estava um friozinho. Paulo e eu estamos à base de vitamina C!

Correria no Brasiguai

Foi o nosso único dia útil na cidade, então a agenda foi tão intensa que eu nem dei conta de escrever no blog!

Só foi possível falar com (quase) todas as fontes oficiais porque tivemos a ajuda do Velocindo, o Velô, do Cerimonial da Prefeitura. E aqui a prefeitura só funciona até 12h30, imaginem a correria!


Velô também nos levou para conhecer a Laguna Punta Porá, onde Ponta Porã e Pedro Juan Caballero (antes, Punta Porá) nasceram

Nos falaram sobre a integração entre brasileiros e paraguaios, que é a realidade de muitas pessoas na sua vida pessoal. Aqui é tudo misturado mesmo. Tem cerca de 15 mil brasileiros que moram no Paraguai e têm direitos aqui no Brasil, mas que não são computados nas estatísticas do IBGE e, portanto, na distribuição de recursos públicos para saúde e educação.

Esses brasileiros, em sua maioria, moram no Paraguai sem uma residência, é tudo informal.


Escolas de fronteira


Esse menino está na linha de fronteira. Ele mora no Paraguai e estuda no Brasil. Para crianças como ele, as escolas bilíngues de fronteira ensinam de forma mais completa sobre esta cultura misturada que eles têm

Visitamos as escolas bilíngues de fronteira do Brasil e do Paraguai. No Brasil, o projeto começou no primeiro semestre, com uma escola paraguaia, mas este semestre será outra escola que vai participar. Fomos visitar essa nova escola, que está numa super expectativa!!!

Os alunos que já participam adoram! Os que vão participar estão numa super expectativa!

A professora Eliana, que coordenou o projeto no semestre passado e nos deu entrevista, falou de como as escolas de fronteira mudaram a visão dela: antes, ela dizia que falava para os alunos que vinham do Paraguai que era "errado" quando eles falavam espanhol. Hoje, ela diz: "falar assim é certo em espanhol, mas em português é desse outro jeito".

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Hoje foi um dia em que fizemos a campanha de vacinação contra poliomielite, em que várias mães que moram no Paraguai trazem as crianças (de cidadania brasileira e paraguaia) para vacinar. Muito bom "encontrar" a vacinação no meio do percurso.


No Jornal Regional

Também demos entrevista para o Jornal Regional e para a Rádio Fronteira, que queriam saber do que estamos fazendo aqui.


O Paulo ganhou um assistente, o nosso motorista, Gonçalves

Fizemos mais algumas entrevistas e imagens. Acho que a série vai ficar bem legal! Temos bastante material!



17.9.09


Meio ambiente e educação indígena

Finalizamos os trabalhos na nossa primeira parada e agora seguimos para uma longa viagem rumo a Ponta Porã/ MS, passando por Manaus, São Paulo, Curitiba e Dourados. É, minha gente! A fronteira é sempre longe do centro e especialmente dos centros de poder, mais ao litoral...

Foi uma experiência muito intensa, que vamos contar com imagens:



Ontem fomos a Umariaçu, terra indígena dos Tikunas, povo da tríplice fronteira. É uma comunidade já bastante urbanizada e cada vez mais, organizada. Eles têm até uma polícia própria, fazendo a segurança da comunidade (não é uma polícia legalizada, e sim como se fosse um sistema de segurança interno). Esse sistema foi criado para evitar que a frente indígena continuasse sendo local de passagem de drogas e para diminuir os índices de alcoolismo no local, e funcionou. Valeria uma pauta a parte...




Fomos lá para conhecer a educação transcultural indígena. Essas crianças estudam a cultura e a língua tikunas e aprendem um pouco de português - têm, no mais, o currículo igual ao "branco". Os professores estão tendo uma graduação especializada, oferecida pela Universidade Estadual do Amazonas. Como vocês podem ver, as crianças se divertiram ao se ver na câmera! Conversamos também com o professor Sebastião, que coordena a licenciatura e nos explicou como funciona a iniciativa.



Já hoje, antes de partirmos para Manaus, demos uma voltONA de barco para ver o trabalho dos ribeirinhos na fronteira com o Peru e como é a fiscalização que o Ibama faz nas águas e terras de fronteira.



Fomos acompanhados do fiscal do Ibama Erland, que nos ensinou e mostrou todo o seu trabalho - só há 2 fiscais no Alto Solimões!!! Nessa foto, estamos numa serraria que foi fechada há um mês.

O mais difícil é que, como as águas são compartilhadas, o Ibama é responsável por fiscalizar só os brasileiros e se os peruanos não fiscalizarem o seu povo, por exemplo, eles podem desrespeitar as regras... e vale lembrar que as regras muitas vezes não são as mesmas. Para saber mais, ouça nA Voz do Brasil e assista no Canal Integración e na TV NBR!




E em Benjamin Constant, cidade ao lado de Tabatinga, a providência divina: um mutirão de documentação, promovido em parceria pelo governo do Estado e o federal. Conhecemos uma senhora agricultora que nunca teve identidade e, aos 72 anos, quer tirar o documento para poder se aposentar. Lindo, né? Eu achei!

Depois voltamos correndo para pegar o voo...

Faltou dizer que ontem entrevistamos também o vice-cônsul brasileiro em Letícia/Colômbia. Ele nos deu um panorama bem interessante das relações exteriores e da cidadania do ponto de vista do local da fronteira, onde esses povos e países se encontram.

Já estou pesquisando sobre os assuntos que vamos ver em Ponta Porã/MS e Pedro Juan Caballero/Paraguai. Tchau!



15.9.09


Saúde na fronteira


No fim do dia, em plena fronteira Tabatinga/BR e Letícia/CO

Hoje avançamos bem nas entrevistas. Foi o primeiro dia útil de trabalho! Foi também o primeiro dia que cruzamos a fronteira rumo a Letícia/ Colômbia.

Entrevistamos o médico da Funasa, dr. Valderi; o secretário de saúde de Tabatinga, sr. Cleudson; o presidente do Conselho Municipal de Saúde, sr. Antônio; a líder comunitária da Pastoral da Criança, sra. Solângela; e o gerente do hospital de Letícia/Colômbia, sr. Joanny, entre tantas outras pessoas.

Pudemos constatar que, realmente, o sistema de saúde em Tabatinga é muito precário, carece de médicos especialistas. Só há especialistas atendendo na cidade no Hospital de Guarnição do Exército, com disponibilidade para a população só Para trazer um especialista de Manaus, custaria cerca de 27 mil reais. Isso pelo mesmo motivo de sempre: Tabatinga é isolada dos centros de decisão do país, está longe inclusive da capital do estado.

Sairia muito mais barato trazer um médico da Colômbia ou do Peru, mas aí esbarramos na dificuldade da convalidação do diploma.

A solução, para as pessoas, é cruzar a fronteira em busca de um atendimento melhor. Conversamos com o sr. Antonio, cuja esposa, peruana, foi procurar tratamento no Peru, em sistema privado, porque não havia como ela ser atendida em Tabatinga. E ela não conhecia ninguém para acompanhá-la no tratamento em Manaus. Conversamos também com a d. Luzia, brasileira casada com colombiano e que prefere o tratamento do lado de lá da fronteira. Por outro lado, muitos peruanos e colombianos vêm para o Brasil, em busca de atendimento de qualidade e gratuito.

Ainda tem a questão do tratamento da saúde indígena e o fato incontestável de que as epidemias não respeitam as fronteiras, sejam em brancos ou em índios.

O mais interessante é que essas cooperações entre os países se dão informalmente e cada cidade fica com o "prejuízo" de ser solidária, em nome da "amistad", mas com mais carências de recursos que a média. Diz o secretário de saúde que as campanhas de vacinação aqui atingem até 120% do total da população. Parece até engraçado, mas é que as pessoas de fora também são vacinadas, se chegam ao posto. E é importante que seja assim, se queremos conter a doença.

Bom, este é um pequeno resumo dentre as muitas coisas que vimos hoje!!!



14.9.09


Ao trabalho!!!

Finalmente, chegamos a Tabatinga ontem. Aqui, temos uma cicerone da Rádio Nacional da Mesorregião do Alto Solimões, a Mislene. Ela tem nos levado a todos os lugares e pessoas para conseguirmos retratar essa realidade da fronteira.

Como chegamos em pleno sábado, pudemos aproveitar para conversar principalmente com o povo e com a sociedade civil.

Mal colocamos as malas no hotel, já saímos para a rua, para ver o barco sair para Manaus. As pessoas reclamam do alto preço das passagens – R$ 170 para quem vai para a capital do Estado. Já de avião para Manaus, custa em torno de R$ 700. Realmente dificulta a viagem.

Leis trinacionais

Ontem, estivemos com os pescadores. O Valmir Barbosa dos Santos, presidente da associação, e o sr. Francisco Oliveira dos Santos, pescador, nos contaram um pouco de como é a relação com os outros países e com o governo brasileiro.


Na sede da Associação dos Pescadores, meu primeiro contato físico com um tucano!

O Brasil é o país que tem uma relação mais rígida, especialmente em relação ao defeso (período em que é proibido pescar, para permitir que o peixe se reproduza e os peixinhos cresçam) e ao respeito ao território indígena. Tem coisas que são proibidas por aqui e permitidas do outro lado da fronteira.

Ainda ontem, cruzamos o Rio Solimões e chegamos ao Peru, à ilha de Santa Rosa. Ali conversamos com o presidente da associação peruana, Félix Ortiz. As associações de pescadores entram em acordo para que o pescador não se limite às águas do seu país e possa ir também às águas do país vizinho. Mas isso significa também que o pescador poderá “flexibilizar” as regras brasileiras pescando no outro país, por exemplo. Uma pergunta para o Ibama...


Cruzando a fronteira do Peru, o Rio Solimões, com Mislene

Santa Rosa é uma cidade bem pobre, não tem nem hospital. Hoje a d. Rosa, agricultora peruana que vendia frutas na feira de Tabatinga, nos contou que recorre ao hospital brasileiro, porque é grátis. Na Colômbia, ela também poderia ser atendida, mas teria que pagar “plata”.


Santa Rosa: casas de madeira, praticamente sem mobiliário!


Cultura de fronteira

É interessante ver, também, como as pessoas bem simples precisam aprender algo do idioma do país vizinho para sobreviver.

Hoje, além de irmos à feira, conversamos com uma família colombiana-brasileira, que nos contou como é viver com a cultura misturada.

A atuação da sociedade
E conversamos com o Padre Valdemir, que nos contou como a sociedade civil (a Igreja, inclusive) tem se mobilizado para trazer desenvolvimento para a região. Eles criaram um consórcio intermunicipal (dos prefeitos), em parceria com o Ministério da Integração, para trazer desenvolvimento público e privado para a região.

Outra coisa importante que o Padre nos falou é sobre a carência de políticas públicas, especialmente para os jovens. Sem opções de lazer e de educação, muitos acabam se envolvendo com o tráfico de drogas.

Aliás, o tráfico é um assunto meio que tabu por aqui. O povo está traumatizado porque uma equipe de reportagem da Record veio aqui recentemente e “só falou coisas feias de nós”. Apesar de que esta é uma questão presente, a maioria das pessoas não está envolvida e se incomoda de ver que é só isso que se fala de Tabatinga em rede nacional.

Causou estranhamento que um colombiano que comprava peixes aqui no Brasil (a maioria dos peixes são vendidos para a Colômbia, o único mercado estruturado por aqui) ficasse tão incomodado porque estávamos fazendo imagens. Dizem que já foi flagrado o transporte de drogas dentro de peixes.

Realmente, as pessoas vão e vêm com bastante liberdade entre as três cidades, o trânsito é livre. Na nossa ida para Santa Rosa, não fomos abordados por nenhum policial, nem do lado brasileiro nem do colombiano. Passamos não só sem mostrar passaporte, mas sem mostrar nenhum documento!

Amanhã é nosso primeiro dia útil na cidade. Aí sim vamos correr para fazer todas as entrevistas! Aguardem mais notícias!!! (apesar de que eu acho difícil conseguir escrever todos os dias, porque geralmente chego exausta! Hoje é que o expediente foi mais curto!)



Problemas técnicos

Pessoal, estou tentando publicar algo por aqui há mais de 12 horas, mas não estava conseguindo chegar à página do blog, porque provavelmente a empresa que o hospeda está mudando suas regras...

O fato é que estamos em Tabatinga, já é nosso terceiro dia, o primeiro dia útil. E o que seria o meu primeiro entrevistado do dia acaba de chegar: vai nos contar a história de sua esposa, uma peruana, em busca de tratamento médico.

Vamos que vamos!



12.9.09


Na Fronteira da Cidadania: começando

Saímos hoje de Brasília para começcar a captação para a nossa série de matérias sobre cidadania nas fronteiras. Da viagem, participam o repórter cinematográfico Paulo Eustáquio e eu. Também participam do Especial a produtora Manoella Cabral e as editoras Priscila Machado (rádio) e Élida Albuquerque (TV).

Nossa primeira parada é Tabatinga, a 1.108 quilômetros de Manaus, a capital do estado do Amazonas. Na fronteira com a Colômbia e o Peru, é cidade gêmea da colombiana Letícia, da qual está separada só por um poste.

Chegar a Tabatinga não é nada simples. Os barcos saem de Manaus três vezes por semana e demoram sete dias para chegar na ida (e três na volta). Os voos são diários, mas a maioria dos dias só tem um voo.

Tudo isso para dizer que tivemos que passar uma noite em Manaus. Paulo e eu aproveitamos para tomar um tacacá da Gisela, na praça do Teatro Amazonas. Neste sábado, seguimos para Tabatinga e Letícia, onde começam, mesmo, nossas investigações.



Nós e o Tacacá



O tacacá em si...


Sobre a série

O objetivo desta série, de quatro matérias, é mostrar como se dá a cidadania nas fronteiras. Em que o fato de estar ao lado de outro país e longe do centro de decisões do seu próprio país interfere nos direitos e deveres das pessoas. Abordaremos principalmente as áreas de saúde, educação e meio ambiente. A realização das reportagens foi patrocinada pela Fundação Avina, através das Bolsas Avina de Invesigação Jornalística para o Desenvolvimento

Ainda em Brasília, tivemos a oportunidade de conversar com o Ministério da Integração, que destacou a importância do desenvolvimento das fronteiras para o Brasil e para a integração regional. Também conversamos como o Ministério da Educação, que destacou o projeto de escolas de fronteira – achei especialmente interessante a necessidade de uma escola adaptar o seu currículo ao do país vizinho, para possibilitar um aprendizado mais completo. E ainda entrevistamos o professor Argemiro Procópio, da UnB, que destacou que essas regiões são altamente carentes da presença do Estado.



11.7.09


Solidariedade a Lúcio Flávio Pinto

Queridos frequentadores do blog,

Acho importante vocês saberem que um dos poucos jornalistas que se mantêm trabalhando na mídia alternativa há muitos anos, o Lucio Flávio Pinto, do Pará, foi condenado por fazer uma denúncia contra a família Maiorana, que controla a afiliada da TV Globo no Pará. Ele terá que pagar 30 mil reais!!!

Estão rolando duas mobilizações para ajudá-lo:

A primeira é dinheiro, mesmo, mesmo. Quem quiser colaborar (neste momento ou para a sustentabilidade do Jornal Pessoal, que não tem anúncios por uma opção editorial), pode depositar na seguinte conta bancária:

Lúcio Flávio Pinto
UNIBANCO (banco 409)
Conta: 201.512-0
Agência: 0208
CPF: 610.646.618-15


Eu mesma vou depositar logo mais. Blogs afora (ver os links abaixo) estão sugerindo que ele entregue tudo em moedas de 1 real! Ou notas!

A segunda é participando do abaixo-assinado. No final, tem o e-mail para onde mandar as assinaturas.

ABAIXO-ASSINADO EM APOIO AO JORNALISTA PARAENSE LÚCIO FLÁVIO PINTO

OBJETO
O repórter e editor do Jornal Pessoal, de Belém do Pará, Lúcio Flávio Pinto, foi condenado pelo juiz Raimundo das Chagas Filho, da 4ª Vara Cível da capital, a pagar uma indenização de R$ 30 mil aos irmãos Romulo Maiorana Júnior e Ronaldo Maiorana, proprietários das Organizações Romulo Maiorana, uma das empresas de comunicação mais influentes da Região Norte, cuja emisssora de TV é afiliada à Rede Globo. A sentença, expedida no último dia 6 de junho de 2009, refere-se a uma das quatro ações indenizatórias movidas pelos irmãos contra o jornalista que, em 2005, publicou artigo em um livro organizado pelo jornalista italiano Maurizio Chierici, depois reproduzido no Jornal Pessoal, no qual abordava as atividades de contrabandista do fundador das ORM, Romulo Maiorana, nos anos de 1950, o qu e teria motivado a ação, pois os irmãos consideraram ofensivo o tratamento dispensado à memória do pai. Além da indenização por supostos danos morais, o juiz ainda obriga o jornalista a não mais referir-se aos irmãos em seus próximos artigos.

Lúcio Flávio Pinto, de 59 anos, em quatro décadas de jornalismo é um dos profissionais mais respeitados no Brasil e no exterior. Seu Jornal Pessoal resiste, de forma alternativa, há 22 anos, sem aceitar patrocínio ou anúncios, garantindo a independência de seu editor frente aos temas públicos do Pará, sobretudo na seara política. Por sua atuação intransigente frente aos desmandos políticos, às injustiças sociais e ao desrespeito aos direitos humanos, recebeu prêmios internacionais importantes: em 1997, em Roma, o prêmio Colombe d’oro per La Pace; e em 2005, em Nova Iorque, o prêmio anual do CPJ (Comittee for Jornalists Protection). Além disso, é premiado com vários Esso. É também autor d e 14 livros, tendo como tema central a AmazÃ?nia, sendo os mais recentes “Contra o Poder”, “Memória do Cotidiano” e “AmazÃ?nia Sangrada (de FHC a Lula)”.

Esse fato demonstra o que significa fazer jornalismo de verdade na capital do Pará: uma condenação.

Por isso, nós, abaixo-assinados, solidarizamo-nos com Lúcio Flávio Pinto, pedindo a revisão de sua condenação em nome da democracia e da liberdade de pensamento.
===============================
Por favor, assine seu nome em sequência, com RG e CPF e devolva a mensagem para esta conta de e-mail: adm.aalfp@gmail.com


Onde saber mais:

Discurso do Lúcio Flávio Pinto, por escrito, anteontem: uma inspiração para Jornalistas, com J maiúsculo.

A explicação do próprio Lúcio Flávio Pinto sobre o caso, no blog do Nassif.

Jornal Pessoal - É onde Lúcio Flávio Pinto escreve na internet.

O Biscoito Fino e a Massa - é um dos principais sites de campanha para ajudar o Lúcio Flávio Pinto.

A explicação do que aconteceu, também no Biscoito Fino.

Repercussão internacional - em inglês



4.7.09


Regularização dos flanelinhas em Brasília: o menos pior!

Gente! Passados alguns meses de abandono do Blog, volto para comentar essa novidade bombástica... Brasília regulariza a profissão de flanelinha. Saiu no Correio Braziliense

Quando regularizaram e institucionalizaram o flanelinha no Rio de Janeiro, eu fiquei revoltada. Porque lá eles são apenas guardadores de carros em espaços públicos, e se o espaço é público, não tem nada que ter guardador. Tem que ter é segurança pública.

Depois a coisa foi piorando lá no Rio... Agora, os guardadores oficiais cobram um preço módico se comparados com outros "extra-oficiais", digamos assim... é triste escolher o menos pior e preferir os oficiais...

Agora, aqui em Brasília, tem um diferencial: os flanelinhas em geral são também lavadores de carros. Acaba sendo um serviço, que eu mesma uso - o Pedrão, guardador lá na Torre de TV, onde eu trabalho, é quem lava meu carro.

Outro diferencial é o "serviço de manobrista": aqui a cultura geral é parar em fila dupla, o que é horrível. Mais uma vez, o flanelinha fica sendo a opção menos pior, porque aí pelo menos tem alguém para deixar o meu carro sair. É menos pior do que ficar buzinando até que o dono do carro em fila dupla se toque e venha tirar o carro dele. Já me irritei muito com isso, já vi pessoas esperando mais de meia hora e nem a polícia apareceu...

Enfim, acho que este é um primeiro passo para acabar com uma coisa tão legal de Brasília, que é todo mundo parar os carros nas ruas, sem os estacionamentos tão necessários e irritantes (e caros) em outras cidades, como São Paulo, por exemplo.

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, também tem trabalhado para construir estacionamentos pagos. Soluções privatistas são lamentáveis.

Mudando de assunto... comidas em Brasília!

A Oca da Tribo tem um multi-mega-delicioso molho de shoyu com amendoim para carnes!!! Fiquei emocionada!!!

Abriu um restaurante japonês novo, o Oishi, na 105 norte. Tem self-service por quilo (a 34,90) na hora do almoço. É gostoso e bonito o lugar!!! Finalmente um destino interessante para o nosso ex-samba de boteco...




24.4.09


Hoje tem BICICLETADA!!!



Repassando a informação recebida, de interesse dos leitores brasilienses!

Para saber mais, visite: http://bicicletadadf.blogspot.com/

Há alguns meses em Brasília, há alguns anos em outros lugares do mundo, pessoas se reúnem na última sexta-feira de cada mês para colocar bicicletas nas ruas e reivindicar uma cidade menos opressora. Que o transporte seja mais acessível e menos segregador. Que não reflitamos nas vias, o consumismo, o egoísmo e o falocentrismo do resto do mundo. Nas gringas chamaram de Critical Mass, por aqui a gente apelidou de Bicicletada.

A propulsão humana contra a tirania do Apocalipse Motorizado.

Hoje tem Bicicletada. Saímos 18h30, lá do Museu do Ovo, ao lado da Catedral, a nossa praça das bicicletas. Espero que a gente se encontre lá para pedalar, conversar, nos divertir. Retomar as ruas e um pouco das nossas vidas. Sejamos 5 ou 50.

Apareçam e circulem: as idéias e as bicicletas.

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A Bicicletada é um movimento que existe no Brasil desde 2002, inspirado pelos encontros de Massa Crítica que acontecem em mais de
200 cidades ao redor do planeta. Sempre na última sexta-feira de cada mês, usuários de veículos não-motorizados se encontram para celebrar o transporte inteligente, reivindicar seu espaço nas ruas e o direito de andar com tranquilidade pelas cidades.

A Bicicletada nada mais é do que um espaço de visibilidade, encontro e festa; uma iniciativa horizontal, sem líderes e aberta. A cada mês, no meio das buzinas e da fumaça, esta celebração permite para troca de idéias, a articulação de projetos e a ação direta em busca de uma cidade melhor, onde todxs tenham direito de ir e vir com tranqüilidade.



23.4.09


Brasília, rumo aos 50

Pois é, minha gente, a nossa "capitá federá" fez 49 anos, em plena contagem regressiva para os gloriosos 50!

Contagem regressiva mesmo: faz um ano que tem um reloginho perto da torre (ao lado do meu trabalho) que insiste em me dizer que os dias estão passando e que hoje faltam 363 dias para Brasília se tornar uma cinquentona.

E o que é que essa cinquentona tem?

Em primeiro lugar, tem sua própria história, fortemente ligada ainda à sua construção e fundação, aos candangos que por aqui ainda estão e à primeira geração de brasilienses, ao seu tombamento. Tombamento que a Administração tem dificuldades para respeitar e preservar suas qualidades. Aqui na quadra onde eu moro, por exemplo, continuamos brigando pela preservação das árvores, com o apoio do IPHAN, que declara que a área verde é parte do tombamento da cidade e não pode ser mudada sem o interesse dos moradores. Convido todos a visitar nossso blog sobre a quadra.

Tem também sua própria cultura. Meu marido trabalha e estuda Cultura e, com isso, conhecemos os movimentos de artistas locais. Numa cidade com pouco espaço e pouco investimento em cultura, tudo é feito na base de muito esforço e as iniciativas estatais de investir nessa área são muito bem-vindas. Mas, infelizmente, na festa de anteontem foram gastos R$ 10 milhões e NENHUM artista de Brasília foi convidado a se apresentar. NENHUM! Nunca vi uma negação tão grande da cultura local!!!

Além disso, Brasília tem cada vez mais pessoas sem noção. O campeão do momento é o fulano que esfaqueou pessoas durante os shows de 49 anos da cidade. Foram 27 pessoas esfaqueadas, segundo o Correio Braziliense. Uma delas morreu.

Um ato desses é lamentável!

Rumo aos 50, espero que Brasília se ame mais. Ame sua história, suas riquezas, suas peculiaridades, sua cultura, que as pessoas amem mais umas às outras. São os desejos de uma pessoa que reconhece as qualidades deste lugar, que é muito mais do que um amontoado de políticos corruptos.

Brasília é uma cidade de muita gente variada, brasileiros de todas partes, gente lutadora, gente feliz. Que este lado da cidade prevalesça!



15.3.09


E o movimento continua...

O movimento na quadra 410 norte continua firme! Vamos realizar uma consulta para ver qual é o melhor lugar para construir a quadra polidesportiva. Estou animada com a movimentação!


Faixa de pedestre

Achei que já tinha falado aqui sobre o funcionamento da faixa de pedestre em Brasília. O Google me diz que não. Então vamos do começo. Em Brasília, há 12 anos, é obrigatório que o motorista pare na faixa de pedestre quando alguém quer atravessar. Uma lei que deveria ser seguida no país inteiro, mas não é.

Poder caminhar com tranquilidade pela faixa não era mais novidade para mim quando eu vim a Brasília, afinal, em Madri também era assim. Porém, em Brasília há algumas peculiaridades. A primeira delas é a repetição: como em geral o que vale para uma quadra vale para todas, as pessoas são "viciadas". Isso leva a que a travessia em faixas sem sinal localizadas onde eles geralmente existem é um risco. Todo esse "nariz-de-cera" para registrar que agora há um semáforo na 211/212 norte. Não porque o movimento de carros pede, mas porque as pessoas não conseguem raciocinar que ali, se há alguém querendo atravessar, é necessário parar.

A outra peculiaridade é a necessidade de esticar o braço para que o automóvel entenda que é para ele parar. Todo mundo que nos visita fica encantado com esse método! Já nós que moramos por aqui, quando esquecemos de fazer sinal, corremos risco. Por isso, é melhor sempre parar e verificar se o carro vai frear. Outro dia, a precaução nos salvou de ser atropelados por um amigo!!!


Mestrado na Espanha convalidado

Essa vai para quem ainda entra no blog por conta do tempo em que eu morei em Madri: esses dias recebi uma carta confirmando a convalidação do meu mestrado, feito na Universidad Complutense de Madrid, pela UnB. Quem quiser saber como se faz, tem todas as informações lá na página da UnB.





8.3.09


Reciclagem de pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes em Brasília

Divulgando informação relevante que eu recebi por e-mail...

O EcoPonto, montado no Pátio Brasil, está à disposição da população para receber lâmpadas fluorescentes usadas, pilhas e baterias de celulares. A ação acontece durante todo o ano, sempre no último final de semana de cada mês, aos sábados das 10h às 22h e aos e domingos, das 14h às 20h.


O material é depositado em um carro coletor exclusivo e criado pelo shopping especialmente para este tipo de coleta. Este carro é apropriado para evitar que as lâmpadas se quebrem e liberem o gás tóxico prejudicial à saúde. Além disso, o mecanismo facilita a locomoção do produto até o depósito do centro de compras, também construído com especificações técnicas para o acondicionamento correto das lâmpadas.


Como nasceu o projeto – Preocupada com a preservação da natureza e consciente do impacto que as lâmpadas fluorescentes causam ao meio ambiente, a consumidora Marly Silva, que já conhecia o trabalho do shopping voltado para a conservação do meio ambiente, procurou o Pátio Brasil para ajuda-lá a descartar suas lâmpadas usadas. A partir desta solicitação, o centro de compras, sabendo que esta demanda diz respeito à toda a população, decidiu estudar a viabilização da criação de um EcoPonto para este tipo de coleta, e assim, desde de novembro de 2008 disponibilizou este serviço à sociedade brasiliense.


Serviço:
EcoPonto – Coleta Seletiva de lâmpadas fluorescentes, pilhas e baterias de celular
Datas de funcionamento do serviço, em 2009:
28 e 29/03
25 e 26/04
30 e 31/05
27 e 28/06
25 e 26/07
29 e 30/08
26 e 27/09
31/10 e 01/11
28 e 29/11
26 e 27/12
Horário: sábados das 10h às 22h e aos domingos, das 14h às 20h
Local: Pátio Brasil Shopping



26.2.09


Estados Unidos e Direitos Humanos

Saiu nO Globo hoje:

EUA divulgam lista negra dos direitos humanos

Marília Martins

NOVA YORK. O Departamento de Estado divulgou ontem seu relatório anual sobre o respeito aos direitos humanos em 190 países, mantendo os mesmos alvos de crítica do governo Bush. Paquistão, Afeganistão, Coréia do Norte, Cuba, Irã, Sudão, Somália, Mianmar e Zimbábue receberam as piores avaliações, mas não passou desapercebido o fato de que o relatório foi divulgado apenas uma semana depois de Hillary Clinton voltar de sua viagem à Ásia, o que fez com que sua passagem por Pequim mantivesse um tom bastante cordial com as autoridades chinesas, apesar do documento reservar comentários negativos para Rússia e China.

- A promoção do respeito aos direitos humanos é peça fundamental da política externa americana - afirmou Hillary, ao comentar o relatório, que se refere ao último ano da administração Bush - Mas a pressão em torno desse tema não pode ameaçar soluções globais para a crise econômica ou parcerias para o combate ao aquecimento global. As economias do mundo inteiro estão hoje interligadas e temos que avançar em nossa agenda.

O Brasil é mencionado no relatório. O governo americano reconhece que a situação dos direitos humanos é, "de um modo geral, boa, mas o país ainda se vê às voltas com denúncias de abusos policiais, maus-tratos nas penitenciárias, incapacidade de proteger testemunhas em casos criminais e lentidão nos processos contra corrupção". Segundo o Departamento de Estado, o governo Lula mantém controle efetivo da policia federal, mas as forças policiais estaduais continuam a cometer abusos.

Já o governo chinês foi duramente criticado no relatório pela violenta repressão às minorias do Tibete, pelas numerosas prisões e sequestros de dissidentes do regime e de defensores dos direitos humanos, por tortura e confissões forçadas, por assassinatos nas prisões estatais e por uso de trabalho forçado. Quanto à Rússia, o relatório registra denúncias sobre irregularidades nas eleições legislativas de dezembro de 2007 e lista violações de direitos humanos na repressão de dissidentes na região do Cáucaso, na Chechênia e durante a invasão da Geórgia.


Faltou citar os casos estadunidenses. Poucos exemplos são Guantánamo, a falta do direito à saúde, a questão dos imigrantes... Digamos que é melhor arrumar a sua casa antes de apontar o dedo para a dos outros. Macaco que senta no seu rabo...




20.2.09


De Brasília, onze árvores caídas

Gente, que tristeza na minha quadra, a 410 Norte! De repente, umas placas falando de uma construção de quadras de futebol. Depois, derrubam duas árvores e zás, onze árvores!

Os moradores estão tristes. Mas também estão mobilizados. Nunca imaginei participar de uma lista de e-mails de vizinhos. Conseguimos, por liminar, parar as obras.

A vizinhança não quer a quadra, até porque ela ficaria muito perto de três prédios, atrapalhando com ruídos e as bolas chegariam muito perto (crack!) das janelas. Além disso, estreitaria o caminho por onde passam várias dezenas de estudantes.

Os que aceitam a derrubada, reclamam que as árvores, já falecidas - coitadas, atrapalhavam as calçadas, já quebradas por suas raízes. A solução poderia ser, simplesmente, consertar as calçadas!

Um blog foi criado para mobilizar as massas. E tem um abaixo-assinado, também.

Acho que minha quadra está ficando politizada!




20.11.08


Cartagena, Colômbia

Estou, desde terça, em Cartagena, para o II Encontro de Investigação Jornalística para o Desenvolvimento Sustentável.

Cartagena é uma cidade linda, encantadora. Terra das histórias de Gabriel García Márquez, ex capital da colônia espanhola nas Américas. Puro caribe, com direito a salsa (ontem, no La Balilla).

Impressionante como a beleza da cidade velha, amuralhada, e da praia Bocagrande, contrasta com a miséria das pessoas que te abordam o tempo inteiro, pedindo (dinheiro) e oferecendo (produtos).

Outra coisa de destaque aqui é o trânsito. As pessoas não respeitam mão e contra-mão, há muitas fechadas. Assustador!

Ah, e claro. Agora é época de maré alta e as ruas ficam todo o tempo alagadas. Seria notícia em São Paulo...

Bolsas Avina e bom jornalismo

Fui contemplada, em nome do Canal Integración, com uma das bolsas Avina de Investigação Jornalística para o Desenvolvimento Sustentável. Durante as manhãs, palestras, Estou publicando no Twitter.

As grandes novidades apresentadas por aqui são a responsabilidade social empresarial no jornalismo, um conceito que vem sendo trabalhado pela Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano, e o Jornalismo da Esperança, um jornalismo de resultados para a sociedade e para os atores noticiados.

Às tardes, debatemos as pautas de todas as pessoas que propuseram temas da mesma área que nós. No meu caso, sobre transparência e integração. O melhor exercício de pauta que eu já vivi. Acho realmente que tudo isso fará de mim e dos outros 60 jornalistas que estão aqui melhores profissionais.


Integração na prática

Para além de conversar com gente de outros lugares e dançar salsa (risos!), estou aprendendo muito. Da realidade dos outros países, das histórias das pessoas, do que temos em comum.

Conversando com os veteranos do grupo, vi, por exemplo, o outro lado da operação Condor: um paraguaio que viveu toda a infância e a adolescência exilado na Argentina e as redes de contato que ele tem, que inclui os amigos de um argentino e de um brasileiro que viveram a ditadura (e correram dela).



17.11.08


Continuam matando Irmã Dorothy

Sábado retrasado eu fui ao Festival Internacional de Cinema de Brasília, o FIC. Sem nenhum planejamento prévio, escolhemos assistir Mataram Irmã Dorothy.

Para quem quiser ver o trailer:


O filme documentário conta a história do julgamento dos supostos assassinos da irmã Dorothy Stang, assassinada em Anapu-PA, onde lutava pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Luta bonita, em que enfrentou os poderosos locais e onde acabou assassinada por defender o que deveria ser defendido por todos os brasileiros.

O diretor, o americano Daniel Jungue, veio ao Brasil junto com o irmão de Dorothy, para acompanhar o julgamento. E ficou até um dos acusados de ser o mandante do crime – o fazendeiro ou madeireiro-destruindo-a-floresta Valdomiro Bastos de Moura, o "Bida" – ser julgado no primeiro julgamento, quando ele foi condenado pelo júri. Naquela época, a legislação permitia a constituição de um novo júri. Ele levou uma testemunha – o acusado de intermediar o crime – que disse que o fazendeiro não tinha nada a ver com aquilo. E foi absolvido.

Pelo documentário, dá para perceber o quanto os assassinos diretamente envolvidos no crime foram pressionados pelos advogados dos fazendeiros pressionaram o intermediário e os assassinos para os inocentarem. E há variações de posturas ao longo do processo. Inclusive com o espancamento de um deles na prisão, logo após se dispor a depor contra os supostos mandantes.

Digo os fazendeiros, no plural. Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como “Taradão”, também é acusado de ser mandante do assassinato da irmã Dorothy. Ele ainda aguarda o julgamento, em liberdade, no Rio de Janeiro.

O mérito do filme está também no fato de que o diretor conseguiu acompanhar os dois lados da história, com entrevistas e com naturalidade. A forma de lidar dos advogados dos mandantes, tão fria e desapegada do sentimento geral à época, me chocou. Foi como viver isso pela primeira vez, já que quando tudo aconteceu, eu estava na Espanha.

Mataram Irmã Dorothy mostra, ainda, o belo trabalho que a freira e suas colegas da irmandade Notre Dame realizam na Gleba 55 de Anapu. Ensinam os trabalhadores rurais a plantarem em um pequeno pedaço de terra, para seu sustento, e a cuidarem do restante da floresta.

É possível ver os caminhões saindo com toras de madeira e o desmatamento em volta da região onde elas trabalham no chamado Programa de Desenvolvimento Sustentável, o PDS. Realmente, as soluções sustentáveis para a Amazônia correm risco de desmatamento e de morte.

Acabando o filme, estavam lá na frente do cinema as freiras Rebeca Spires e Julia Depweg, que trabalhavam com a irmã Dorothy e continuam em Anapu. Foi difícil conter a emoção, depois de ver tudo o que essas norte-americanas passam por lá para cumprir uma missão de tamanha brasilidade junto à Amazônia. E ainda são acusadas de espiãs dos Estados Unidos, pelos advogados dos acusados de serem os mandantes!

Elas denunciaram a tentativa do Regivaldo de reivindicar, junto ao Incra, justamente as terras onde elas realizam este trabalho. A notícia saiu na Agência Brasil . Complementando, elas disseram que o documento apresentado ao Incra foi uma cópia, o que é comum quando se pretende alegar posse de terras ilegalmente. As irmãs também afirmaram que a situação de violência continua no local. O pessoal do PDS nunca anda sozinho, pois há o risco de terem o mesmo destino da irmã Dorothy.

Dá vergonha saber que essas coisas ainda acontecem no Brasil de forma tão descarada. Espero, de verdade, que a resposta do Estado Democrático de Direito seja eficaz e efetiva.